Transcrição do episódio A transcrição é gerada automaticamente por Podscribe, Sonix, Otter e outros serviços de transcrição eletrônica.
Olá a todos, aqui é Ricardo Vargas, e este é o 5 Minutes Podcast. Hoje eu quero começar com uma frase que eu já ouvi centenas de vezes em entrevistas e conversas de carreira. "Eu tenho quinze anos de experiência em projetos." Sempre que escuto isso, uma pergunta aparece na minha cabeça, e ela é desconfortável. São quinze anos de experiência, ou é um ano repetido quinze vezes? Essa pergunta é difícil porque, na verdade, quase ninguém tem como responder. Nem a pessoa que fala, nem quem está ouvindo. E aqui mora uma contradição enorme da nossa profissão. Nós medimos tudo nos nossos projetos. Medimos custo, prazo, escopo, risco, qualidade, valor agregado, satisfação do cliente. Temos índices, curvas, gráficos e painéis para cada uma dessas coisas. E quando o assunto é quem conduz o projeto, nós praticamente não medimos nada. A competência em projetos é declarada, não medida. Pense em como isso funciona hoje. O currículo é uma declaração.
Quando alguém escreve "liderei projetos complexos de grande porte", isso não diz quase nada sobre o que a pessoa sabe fazer de verdade. As certificações são importantes, e eu defendo muito que as pessoas se certifiquem, mas elas provam conhecimento num momento específico, e não maturidade ao longo do tempo. A avaliação de desempenho da empresa, quando existe, mede entrega, e entrega depende de muita coisa que não é só capacidade.
Um projeto pode dar certo com um time medíocre e muita sorte. E pode dar errado com um time excelente e um mercado que virou. O resultado é que as decisões de carreira em projetos são tomadas no escuro. No escuro para a pessoa, que não sabe onde investir o pouco tempo que tem. E no escuro para a organização, que aloca gente por intuição e por simpatia. É aqui que eu acho que a inteligência artificial muda alguma coisa de verdade. Não estou falando de IA escrevendo cronograma ou resumindo ata de reunião. Estou falando de usar IA para olhar uma trajetória profissional inteira e devolver um retrato dela.
Uma coisa que um avaliador humano levaria horas para fazer e que quase nenhuma empresa está disposta a pagar. A minha aposta é que a avaliação de competência em projetos vai deixar de ser um evento raro e caro, daqueles que acontecem uma vez por ano, se acontecer, e vai virar uma coisa contínua, barata e disponível para qualquer pessoa. Isso muda o jogo para quem está começando, para quem está mudando de área e para quem está há vinte anos na mesma função sem saber direito o que fazer a seguir. E agora eu preciso ser transparente com vocês. Eu ajudei a construir uma ferramenta que faz exatamente isso, e ela se chama PM Goal. Ela nasceu do nosso Venture Lab; é gratuita e eu não ganho absolutamente nada com ela.
Estou falando dela aqui porque ela é a forma mais concreta que eu tenho de explicar essa ideia e porque quero que a comunidade de projetos use. Funciona assim: você envia o seu currículo ou o PDF do seu perfil do LinkedIn, e em cerca de dois minutos recebe um retrato da sua maturidade profissional. Ele vem organizado em três dimensões: pessoas, processo e negócio. E depois ele vira um plano prático para os próximos trinta, sessenta e noventa dias. O endereço é pmgoal.com.
Mas eu não quero que o recado deste episódio seja "usem a minha ferramenta". O recado é outro, e ele é mais importante. Tem um detalhe no PM Goal que, para mim, é a parte mais interessante de tudo isso. O resultado não vem como um número exato. Ele vem com uma faixa de incerteza explícita. E isso deveria ser o padrão de qualquer avaliação de competência feita por inteligência artificial. Nós, que trabalhamos com projetos, entendemos isso melhor do que qualquer outra profissão. Uma estimativa sem faixa de incerteza é um chute com cara de precisão. É a mesma diferença entre dizer que o projeto custa oito milhões e dizer que ele custa entre sete e nove e meio.
O segundo número é menos confortável e é muito mais honesto. Então eu proponho uma régua para vocês avaliarem qualquer ferramenta de avaliação por IA que apareça pela frente, incluindo a que eu ajudei a fazer. Ela mostra o quanto não sabe sobre você? Se ela te dá uma nota exata e redonda sobre a sua maturidade profissional, desconfie. E tem um último limite que eu quero deixar claro. Nenhum número mede coragem. Nenhum número mede o seu julgamento às três da manhã, quando o projeto está desabando e a decisão é sua. Nenhum número mede o que você fez pelo seu time naquela semana terrível que só vocês viveram.
O valor de um retrato desses não é o número. É a direção. Ele serve para escolher o próximo passo, nunca para definir quanto você vale. Então fica o desafio desta semana. Nós passamos a vida medindo projetos. Quando foi a última vez que medimos a nossa própria evolução? Espero que tenham gostado deste episódio e até a próxima semana com mais um 5 Minutes Podcast.