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Olá pessoal, aqui é o Ricardo Vargas e esse é mais um 5 Minutes Podcast. E hoje eu quero trazer para vocês como eu faço todos os anos uma análise detalhada e estratégica sobre a vigésima primeira edição do relatório de riscos globais de 2026, publicado pelo Fórum Econômico Mundial World Economic Forum. Esse documento, ele é, sem dúvida, uma das bússolas mais importantes para a gente entender o terreno onde os nossos projetos estão sendo construídos e executados principalmente não só para falarmos aqui nos próximos meses, mas sim nos próximos anos. E o relatório define o ano de 2026 como o início da era da competição. Isso marca um afastamento da colaboração global que tentamos construir nas últimas décadas, desde o pós-guerra. Estamos entrando em um período em que a estabilidade global está sob pressão e as regras do jogo estão mudando rapidamente. E para traduzir isso para nossa realidade em projetos, eu queria explorar no fundo três conceitos vitais dentro do relatório. O primeiro deles chama-se cenário turbulento, o segundo chama-se ajuste de contas econômico e o terceiro se chama as coalizões de vontade. Então vou começar analisando o primeiro deles, o cenário turbulento. O relatório aponta que 50% dos líderes e especialistas entrevistados antecipam um cenário turbulento e tempestuoso já para os próximos dois anos. O principal motor dessa instabilidade é o que o relatório chama de confronto geoeconômico, que é classificado como risco número 1 no topo em 2026. Mas assim, o que que isso significa na prática para o nosso projeto? Significa que governos e blocos de poder estão utilizando ferramentas econômicas como armas de guerra. Estamos falando em tarifa, estamos falando em sanção. Estamos falando em controle de investimento, estamos falando em restrições tecnológicas sendo aplicadas para ganhar vantagem estratégica. E se você gerencia projetos internacionais ou depende de uma cadeia de suprimentos global, a sua previsibilidade simplesmente acabou. Você não pode mais assumir que materiais, chips, tecnologias chegarão no prazo apenas porque existe um contrato assinado. As cadeias de suprimentos sistematicamente importantes estão em risco muito sério de ruptura devido a essas decisões políticas. O segundo conceito fundamental que precisamos dissecar um pouquinho agora é o chamado ajuste de contas econômico ou economic reckoning. Os riscos econômicos subiram drasticamente no sangue de preocupação desse ano. O mundo está carregando uma dívida global colossal que é superior a 250 trilhões de dólares. Ao mesmo tempo os governos estão sob pressão para gastar mais em defesa, transição energética e na corrida por inteligência artificial. Isso cria um cenário onde os custos do capital vão aumentar e o dinheiro vai ficar mais raro e mais escasso. Além disso, o relatório alerta para o risco de estouro de bolhas de ativos, possivelmente ligados à supervalorização de empresas de tecnologia envolvendo inteligência artificial etc. Agora para o seu portfólio de projetos, existe um rigor financeiro extremo, e olha, uma disciplina de ferro. Projetos que eu chamo de vaidosos ou os chamados Pet Project, que não têm um retorno sobre investimento claro e rápido, eles vão ser os primeiros a serem cortados. Você precisa garantir que o business case do seu projeto seja a prova de bala, focado em eficiência e valor real. Não há mais margem para desperdício ou para apostas puramente especulativas em um ambiente onde a liquidez e o dinheiro estão cada vez menores. Um outro ponto que agrava esse cenário econômico-social é a desinformação. A desinformação e a informação falsa aparecem como o segundo risco maior no curto prazo. Isso cria polarização social e dificulta a tomada de decisão baseada em fatos. E isso é um veneno para qualquer projeto complexo. E por fim eu quero falar sobre a solução estratégica que o relatório propõe. As chamadas coalizões de vontade. Nós vivemos em um mundo multipolar onde o consenso global e as grandes instituições multilaterais estão travados e se mostram muitas vezes ineficientes. Em vez de esperar que todos concordem, o que pode nunca acontecer, nós estamos vendo surgir o minilateralismo. Eu adorei essa frase. Minilateralismo. Isso significa que pequenos grupos de países, empresas ou stakeholders com interesses alinhados se juntam para fazer as coisas acontecerem, independentemente do resto. É uma lição de liderança poderosíssima para nós. Quantas vezes o seu projeto trava porque você está tentando obter o consenso de absolutamente todas as partes interessadas? A ideia de coalizões de vontade sugere que devemos identificar quem realmente quer a mudança. E quem realmente vai contribuir. E olha, avance com esse grupo. Não espera unanimidade. Busque uma massa crítica que tenha vontade de realizar e use essa energia. Para que você consiga destravar essas decisões. É melhor avançar com um grupo menor e comprometido do que ficar paralisado tentando convencer os céticos em um ambiente tão polarizado. Bem, o que eu queria resumir a conversa de hoje? Porque esse é um podcast onde eu estou falando de conceitos econômicos, geopolíticos. Primeiro, proteja sua cadeia de suprimento contra o confronto geoeconômico. Tenha planos B e C para fornecedores críticos. Segundo, prepare-se para o ajuste econômico com uma gestão financeira impecável, porque o dinheiro está cada vez mais caro. E terceiro, lidere através de colisões de vontade, unindo-se a quem quer fazer o seu projeto acontecer. O relatório nos lembra que o futuro não é um caminho fixo, mas uma série de possibilidades que dependem das nossas ações hoje. Eu te recomendo: dá uma olhada no relatório. Vale muito a pena e vai trazer insights valiosíssimos no seu planejamento para 2026. Cabe a nós, como líderes, construir a resiliência de que a gente precisa para navegar nessa nova era. Pensem nisso. Espero que vocês tenham gostado desse episódio. Leiam o relatório e até semana que vem com mais um 5 Minutes Podcast. Até lá, pessoal.