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Olá, pessoal, aqui é o Ricardo Vargas e este é o 5 Minutes Podcast.
Agosto está terminando.
Na Europa, as pessoas estão voltando das férias; no Brasil, já estamos bem dentro do segundo semestre e, em poucos dias, as agendas se enchem de novo.
E aqui está o que quase todos nós fazemos em seguida.
Abrimos o plano onde paramos, olhamos as tarefas que ficaram pausadas e apertamos o play.
Esse instinto parece responsável.
Na verdade, ele é o erro mais caro do ano inteiro.
Porque o plano que estamos prestes a retomar foi escrito por pessoas que não sabiam o que sabemos hoje.
Essas pessoas éramos nós, oito meses atrás.
Elas não sabiam como o orçamento ia se comportar.
Não sabiam qual fornecedor seria adquirido.
Não sabiam do que a tecnologia seria capaz em agosto.
Pense em quanta coisa mudou só em inteligência artificial desde janeiro.
Se um projeto que aprovamos em janeiro continua parecendo exatamente certo em agosto, isso não é estabilidade.
Normalmente é sinal de que ninguém olhou para ele com atenção.
Então deixe-me sugerir três coisas que deveríamos fazer antes de apertar o play.
A primeira é recalcular em vez de reconfirmar.
Existe uma diferença enorme entre perguntar para a equipe "continuamos dentro do prazo" e perguntar "se este projeto começasse hoje, com tudo o que sabemos agora, nós o desenhariamos assim".
A primeira pergunta convida todo mundo a defender o plano.
A segunda convida todo mundo a pensar.
Nós fazemos a primeira pergunta com frequência demais, quase sempre porque temos medo da resposta da segunda.
A segunda é olhar para fora do projeto, e não apenas para dentro dele.
Nossos relatórios de status são quase inteiramente internos.
Tarefas, entregas, orçamento consumido, riscos que já tínhamos identificado.
Mas quase nada do que muda em um projeto acontece dentro do projeto.
Acontece no mercado, na regulação, na tecnologia, nas prioridades de quem nos financia.
Reserve uma hora e liste o que mudou fora do seu projeto desde janeiro.
Depois pergunte quantas dessas mudanças o seu plano absorveu.
Na minha experiência, a resposta é quase nenhuma, porque esse trabalho não tem dono.
A terceira é redecidir o portfólio, e não apenas o cronograma.
Essa é a que evitamos.
De outubro em diante acontece algo previsível em toda organização com a qual já trabalhei.
A pressão de fechar o ano toma conta, e nós paramos de escolher.
Terminamos o que está mais perto de estar pronto, e não o que mais importa.
Entregamos a coisa fácil em dezembro para o relatório anual parecer completo.
É por isso que a janela é agora.
Ainda temos tempo para parar um projeto, mover recursos, mudar um escopo.
Em seis semanas não teremos.
Em seis semanas, a única resposta honesta será "vamos empurrar para o ano que vem", e começaremos janeiro com a mesma lista com que começamos este janeiro.
Deixe-me ser claro sobre uma coisa, porque é fácil ouvir isso como um convite para jogar o plano fora.
Não é.
Replanejar não é admitir derrota, e não é sinal de que planejamos mal em janeiro.
É o reconhecimento de que o mundo andou e nós percebemos.
Os projetos que entram em crise quase nunca são os que mudaram de direção.
São os que continuaram andando numa direção que deixou de fazer sentido, porque mudar parecia fracasso.
Então aqui está o que eu pediria para todos nós fazermos nesta semana.
Bloqueie duas horas na agenda, antes que as reuniões tomem conta.
Traga as duas ou três pessoas que realmente sabem o que está acontecendo no campo, e não apenas as pessoas responsáveis pelo relatório.
E responda uma pergunta com honestidade.
Se este projeto começasse hoje, com o que sabemos hoje, nós o aprovaríamos com este formato, com este escopo, com esta equipe, a este custo?
Se a resposta for sim, entramos no segundo semestre com confiança real, e não com confiança herdada.
Se a resposta for não, acabamos de encontrar os quatro meses mais valiosos do ano.
A pergunta não é se conseguimos terminar o que começamos em janeiro.
A pergunta é se o que começamos em janeiro ainda é o que a organização precisa em dezembro.
Espero que você tenha gostado deste episódio e até a semana que vem com mais um 5 Minutes Podcast.