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Olá, pessoal, aqui é o Ricardo Vargas e esse é mais um 5 Minutes Podcast. Nas últimas semanas, uma pergunta apareceu em quase todas as conversas que eu tive com os gerentes de projetos, com patrocinadores, com executivos. E eu a repeti no nosso último webinar, onde a gente fala sobre inteligência artificial em projetos, e eu brinquei, falei a pergunta de 1 milhão de dólares. Que trabalho nós conseguimos fazer que a inteligência artificial não consegue? E o que torna o nosso trabalho unicamente humano insubstituível? E olha, eu quero começar com uma confissão. Eu tentei responder essa pergunta do jeito tradicional, fazendo uma lista. E, é claro, eu cheguei em empatia, criatividade, julgamento, liderança. E toda vez que eu revisitava essa lista, alguns meses depois, a minha lista tinha encolhido. A inteligência artificial hoje escreve um plano de comunicação melhor do que muitos de nós. Ela analisa riscos, resume contratos, propõe cronogramas e faz isso em segundos. Bem, se a nossa estratégia é procurar a tarefa que a máquina ainda não faz, bem, nós estamos numa corrida com grande chance de perder. Talvez não esse ano, mas talvez na próxima versão. Então eu comecei a olhar a pergunta de um outro ângulo. Em vez de perguntar o que a IA não consegue fazer, eu perguntei o que a inteligência artificial não tem. E a resposta foi até simples. A inteligência artificial não quer nada. Pensem nisso por um segundo. A ferramenta mais poderosa que já colocamos dentro do projeto não tem nenhum interesse no resultado dele. Ela não quer que a ponte fique pronta. Ela não quer que o sistema entre no ar antes do concorrente. Ela não tem medo da reunião de amanhã com o patrocinador. Ela não fica com vergonha quando o prazo passa e o cliente liga. Ela não perde o sono. Se o projeto falhar, bem, nada acontece com ela. E os projetos existem exatamente porque alguém quer alguma coisa. Um hospital, uma fábrica, um produto novo, uma mudança na forma de trabalhar. Alguém quis aquilo com força o suficiente para pedir dinheiro, para montar uma equipe e para assumir o risco de errar em público. Todo projeto, no fundo, é a vontade de alguém transformada num cronograma e num orçamento. E é aí que está a resposta para a pergunta de 1 milhão de dólares. O que nos torna insubstituíveis não é uma habilidade. É ter algo no jogo. É ser a pessoa que se importa com qual resultado vai acontecer e que paga o preço se der errado. Deixa-me dar um exemplo concreto. Quando eu trabalhava com projetos humanitários, a decisão de mudar o local de uma clínica ou de uma maternidade nunca era só uma análise de dados. A análise, a inteligência artificial de hoje faria muito bem e provavelmente infinitamente melhor do que nós fazíamos na época. Mas a decisão era tomada por alguém que ia olhar nos olhos daquela comunidade depois e que ia responder por ela. Aquele peso não é um defeito do processo. É o que torna aquela decisão legítima. Isso muda a forma como nós devemos usar a inteligência artificial no dia a dia do projeto. Delegar análise à inteligência artificial é inteligentíssimo. Agora, delegar à vontade é impossível. Quando um patrocinador pergunta o que a EA recomenda, a pergunta que precisamos devolver é o que a gente quer? Porque uma recomendação sem que alguém a deseje e a defenda não move projeto nenhum. E eu vejo isso acontecer em comitês. Cada vez mais relatórios são gerados por EA e eles são muito bons. Mas na sala onde ninguém sente o projeto como seu, as decisões ficam paradas. E não é por falta de informação, é por falta de alguém que queira. E isso vale para cada pessoa da equipe, não só para quem lidera. Um membro do time que apenas executa o que a ferramenta sugere é fácil de substituir, porque a ferramenta já faz aquilo. Agora, um membro do time que quer que o cliente saia satisfeito, que percebe que a resposta que a inteligência artificial está dando está tecnicamente certa, mas vai criar um problema com a operação e que levanta a mão para dizer isso. Bem, esse membro do time é muito mais difícil de substituir. A diferença entre os dois não é o conhecimento técnico, é o querer. Então vai aí a minha provocação para essa semana. Pare de perguntar o que você faz que a IA não faz. Pergunte pelo que você está disposto a responder. Qual resultado do seu projeto você quer com força suficiente para colocar o seu nome nele? Se a resposta vier rápido, você já sabe que é insubstituível. Agora, se a resposta demorar, o problema não é a inteligência artificial. Pensem nisso. Espero que vocês tenham gostado desse episódio. Olha, até a próxima semana com mais um 5 Minutes Podcast. Até lá.