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Olá, pessoal, aqui é Ricardo Vargas e esse é mais um episódio do Five Minutes Podcast. Na semana passada eu publiquei uma edição, a trigésima terceira edição da minha newsletter Beyond Hype, e ela tinha um título super provocativo sobre o futuro do gerenciamento de projetos diante da inteligência artificial, falando assim: será que vai existir trabalho em gerenciamento de projetos em 2030? E assim, primeiro eu queria colocar o seguinte: Essa edição, assim como todas as outras, eu a faço mensalmente porque talvez a Beyond Hype e esse podcast que eu faço desde 2007 são as coisas assim que mais refletem o que está passando na minha cabeça, os meus medos, os meus receios, o que eu estou vendo de tendência. E eles refletem, óbvio, o meu pensamento e como eu enxergo isso. E a repercussão desse episódio foi simplesmente enorme. Possivelmente a maior repercussão que eu tive na newsletter, que tem quase 50 mil pessoas no Linkedin e outras 60 mil pessoas no e-mail. E eu recebi um monte de mensagens, comentários, e-mails em conversas privadas, mensagens. É lógico, a grande maioria foi superpositiva como sempre. Eu tenho recebido; as pessoas têm um carinho muito grande comigo e eu me sinto superfeliz com isso. Agora, também é claro, surgiram pessoas bastante céticas que eu respeito muitíssimo e eu acho esse comentário excelente. E quando eu posto, eu posto esperando isso. O objetivo da newsletter nunca foi convencer ninguém de que eu tenho razão, muito pelo contrário. E hoje eu queria comentar um pouco disso. Antes de tudo, eu queria deixar uma coisa muito clara. Eu sou apenas uma pessoa tentando entender o que está acontecendo. E eu queria dizer para vocês assim, eu não tenho uma bola de cristal para saber como é que vai ser o futuro. Eu tenho medo, como a maioria das pessoas, do desconhecido. Eu adoro uma previsibilidade, só que ninguém tem noção do que está acontecendo. Então tudo o que eu escrevo, que eu gravo, que eu compartilho, são reflexões baseadas naquilo que eu observo trabalhando diariamente com os projetos que eu tenho. E eu nunca gravei um episódio querendo ocupar uma posição de quem sabe todas as respostas. Quem sou eu para isso? Na verdade, eu tenho as mesmas dúvidas da maioria de vocês que estão ouvindo, as mesmas preocupações, porque a minha vida inteira foi construída em torno de projetos. Eu brinco assim, eu acho que eu não sei fazer outra coisa anão ser projetos. Esse é meu trabalho, é minha profissão. Então quando eu vejo a velocidade com que a inteligência artificial está evoluindo, é natural que eu me pergunte o seguinte: Como é que as coisas vão estar daqui a cinco anos? Daqui a dez? Se isso me preocupa? É claro que isso me preocupa. Eu vou te dizer uma coisa: não só me preocupo, como muitas vezes me apavora. E seria estranho que eu não me preocupasse. Uma das coisas que eu mais preocupo é entender o que está acontecendo. Ou seja, é lógico, muita gente fala assim: Pô Ricardo, você é um alarmista, etc. Bem, desculpa, talvez eu seja. Agora existe uma diferença muito grande entre criar pânico e levantar perguntas difíceis. E o que mais me incomoda não é quem discorda de mim. O que me incomoda é quando alguém diz que nada vai mudar simplesmente porque a gente não consegue imaginar como a mudança vai acontecer. A história mostra exatamente o contrário. Quase nenhuma grande transformação foi óbvia antes de acontecer. Sabe, outra pergunta que eu recebi também um monte de vezes assim: Mas, Ricardo, e se isso tudo estiver errado? Que coisa boa! Eu devolvo a outra. Qual que é o prejuízo de você buscar reduzir a sua ignorância e aprender mais sobre inteligência artificial? Qual que é o prejuízo? Vamos lá, se daqui a uns anos descobrimos que, poxa, foi tudo superestimado. Ótimo, você aprendeu alguma coisa nova. Você teria desenvolvido novas habilidades, aprendido alguma coisa diferente, entendido um pouco como o mundo digital funciona, mesmo que não fosse aquela transformação. Nada disso vai ser perdido. Agora, imagina o cenário oposto. Imagine que a inteligência artificial continue avançando na velocidade que nós estamos vendo hoje. Imagine que ela transforme profundamente a maneira como nós trabalhamos e você não está sabendo disso. Quem não tiver aprendido vai ficar muito mais distante dessa nova realidade. E é exatamente esse risco com que me preocupo. Assim, eu tenho hoje 54 anos; eu tenho uma vida profissional superlegal. Eu, felizmente, posso me preocupar hoje com outras coisas que não sejam ganhar o dinheiro todo mês. E eu me preocupo com isso. Porque eu acho que a gente tem a obrigação de trazer todo mundo junto quando as coisas mudam. Hoje, o que eu estou vivendo, por exemplo, de mudança em desenvolvimento de sistemas, as pessoas que trabalham em projetos envolvendo ágil etc. É uma evolução que eu nunca imaginava ver, dois anos atrás ou três anos atrás, quando eu comecei a falar que a AI estava crescendo. Ou seja, hoje nós estamos vendo o seguinte ciclo de sprint reduzindo de duas semanas para 15 minutos. E assim, a gente goste ou não, isso está acontecendo. E não é porque eu li no artigo, não é porque eu vejo isso dentro das empresas. Eu estou vendo isso acontecendo em todos os lugares. Eu vejo confirmou sendo revisados. Eu vejo projetos de tecnologia sendo organizados de forma completamente diferente. Eu vejo empresas questionando processos que pareciam definidos há poucos anos. Conceitos que a gente discutiu durante décadas como modelos ágeis, sprints, papel, governança e até a própria organização das equipes sendo reavaliados. Agora isso significa que isso tudo vai desaparecer? É claro que não! Agora significa que muita coisa vai mudar. Ignorar essa possibilidade me parece ser muito mais perigoso do que a gente tentar entender. No fim das contas, meu objetivo nunca foi, nem é, prever o futuro. Meu objetivo sempre foi provocar essa reflexão. E se depois de ler a newsletter, ouvir esse episódio, você discordar de mim, tudo bem, não tem problema nenhum. Agora eu só espero que você tenha parado por alguns minutos para pensar sobre como o seu trabalho pode evoluir nos próximos anos. Porque essa conversa não é sobre inteligência artificial. Essa conversa é sobre a nossa capacidade de continuarmos relevantes em um mundo que está mudando muito mais rápido do que qualquer um de nós imaginava. Vamos pensar nisso. Espero que vocês tenham gostado desse episódio. Espero que vocês gostem da newsletter. E eu não estou aqui, sem dúvida nenhuma, para buscar a unanimidade. Eu estou aqui realmente para buscar esses questionamentos que eu tenho comigo mesmo. todos os dias. A gente se vê semana que vem com mais um 5 Minutes Podcast. Um grande abraço.