Transcrição do episódio A transcrição é gerada automaticamente por Podscribe, Sonix, Otter e outros serviços de transcrição eletrônica.
Olá pessoal, aqui é o Ricardo Vargas e esse é mais um 5 Minutes Podcast e hoje eu quero falar sobre uma ideia que pode parecer estranha à primeira vista os projetos, eles também envelhecem. Sim, eles envelhecem. Não no sentido cronológico apenas, mas no sentido de perder energia, perder a conexão com a realidade, perder a relevância. E muitas vezes continuam existindo por pura e simples inércia. Gente, a gente precisa lembrar que todo e qualquer projeto nasce por uma razão muito clara ele nasce ou para resolver um problema ou para capturar uma oportunidade, para transformar uma necessidade em um resultado. E no início, é claro, existe muito entusiasmo. As pessoas se mobilizam, recursos aparecem, as reuniões têm energia. Tudo parece muito rápido, porque existe sim, naquele momento, um senso de propósito. Agora o tempo, o tempo muitas vezes é cruel. O contexto da organização muda, as prioridades mudam. O próprio mercado muda, nós estamos vendo os eventos geopolíticos recentes, como as coisas vão mudando e como é que isso pode impactar. A tecnologia muda, as pessoas mudam, as lideranças mudam. Agora, muitas vezes os projetos continuam como se nada tivesse acontecido, como se nada do que falei antes tivesse acontecido. E aí eles começam a envelhecer. E um projeto ele envelhece quando sua justificativa original ela já não é tão forte. Agora, ninguém tem coragem para revisar isso. Um projeto ele envelhece quando a equipe começa a gastar mais energia defendendo a continuidade do projeto do que explicando o seu valor. Quando os marcos, eles continuam sendo cumpridos agora, o impacto real daqueles marcos, ao serem atingidos, eles começam a desaparecer. E olha, isso acontece com muito mais frequência do que a gente pensa, principalmente num mundo tão volátil. Sabe por quê? Porque existe uma tendência muito humana nas organizações. Nós somos muito fortemente apegados ao esforço que nós já fizemos. Nós começamos a pensar naquele custo que eu chamo de custo enterrado, já gastamos tudo até aqui e já trabalhamos demais, já avançamos demais para perder agora. Agora esse raciocínio ele pode ser muitíssimo perigoso, porque esforço passado não garante valor futuro. Templo investido não justifica uma insistência cega em continuar um projeto só porque ele já consumiu muito, pode transformar uma decisão ruim em uma decisão péssima. Muitas vezes, envelhecer mal é exatamente isso e continuar existindo sem renovar o sentido. É como se um projeto permanecesse vivo no cronograma, mas morto na estratégia. Agora, como é que a gente percebe que um projeto está envelhecendo? Existem alguns sinais super claros. O primeiro sinal é quando ninguém mais consegue explicar de forma simples por que aquele projeto ainda importa. As respostas ficam longas, vagas, burocráticas e quando isso acontece, é um alerta. O segundo sinal é quando um projeto continua produzindo entregas, mas essas entregas já não geram entusiasmo e ninguém é mais ou menos assim, tudo é rotina, tudo é obrigação, tudo é processo. Quase ninguém fala do resultado. E o terceiro sinal é quando o ambiente em volta mudou, mas o projeto continua preso àquelas mesmas premissas antigas. Ele foi desenhado para um mundo que não existe mais. O quarto sinal é quando revisar o projeto vira tabu. Ninguém quer reabrir a conversa, ninguém quer questionar, porque parece que fazer isso é desrespeitar o trabalho de quem veio antes. Agora, revisar não é desrespeitar, revisar e liderar. Projetos saudáveis, eles precisam ser desafiados ao longo da sua vida o tempo inteiro. Eles precisam ser revisitados, atualizados. Em alguns casos, eles precisam, sim, ser encerrados. E encerrar um projeto nem sempre é um fracasso. Às vezes é um ato de inteligência, uma demonstração de maturidade. Parar muitas vezes é a melhor forma de proteger valor. O problema é que muitas organizações tratam o cancelamento ou a finalização antecipada como uma vergonha e criam um ambiente onde os projetos antigos continuam andando dentro da organização, como se eles fossem zumbis, consumindo tempo, atenção, orçamento e principalmente foco. E foco é um dos ativos mais escassos de qualquer organização. Por isso, talvez uma das perguntas mais importantes que a gente liderando projeto precisa fazer não é como acelerar esse projeto? Talvez a pergunta mais certa a ser feita assim, esse projeto não faz sentido do jeito que ele está? E a pergunta parece ser supersimples, mas ela tem um poder enorme, porque ela obriga a equipe a não olhar necessariamente para o passado, mas sim para o futuro. Tirar o seu projeto do piloto automático. Então, da próxima vez que você olhar um projeto que está ali há muito tempo, andando como um zumbi, faça uma pausa, pergunte se ele continua jovem em propósito, continua atual em valor, continua conectado com a realidade que existe hoje, Porque os projetos também envelhecem e bons líderes eles sabem quando é importante revitalizar, quando é importante reinventar e sabem, principalmente, quando é importante encerrar um trabalho que já não faz sentido, com coragem e com responsabilidade. Espero que vocês tenham gostado desse episódio, pensem bastante nisso e a gente se vê na próxima semana com mais um 5 Minutes Podcast. Até lá, pessoal!