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Olá, pessoal, aqui é o Ricardo Vargas e esse é mais um 5 Minutes Podcast. Hoje eu quero falar sobre uma ideia de que há poucos anos, muito poucos anos, parecia impossível. O projeto de uma pessoa só. Recentemente eu li um artigo brilhante da Helena Verna chamado IC Work is the New Career Flex, onde o IC ou IC é individual contributor. Nele, ela argumenta que nós estamos entrando numa era em que indivíduos conseguem realizar trabalhos que antes exigiam departamentos inteiros. E eu, quando eu li o artigo, eu imediatamente pensei em projetos. Porque durante décadas nós associamos a complexidade de um projeto ao tamanho da equipe. Projetos grandes exigiam equipes grandes, projetos complexos exigiam equipes ainda maiores. Mas será que isso ainda continua sendo verdade? Uma das coisas que aprendemos em gerenciamento de projetos é que pessoas não representam apenas capacidade de execução. Pessoas também representam um custo, um trabalho muito grande de coordenação. Cada novo membro da equipe cria novas linhas de comunicação, mais alinhamento, mais reunião, mais aprovação, mais dependência, mais tudo. E em muitos projetos o maior esforço ele não está na execução por si só. Ele está na coordenação da execução. E isso me lembra a lei de Brooks que eu falei recentemente, que diz que adicionar pessoas a um projeto atrasado frequentemente o atrasa ainda mais. E o motivo é supersimples: a coordenação cresce mais rápido do que a produtividade. Agora imaginem um cenário bem diferente. Uma única pessoa, utilizando plataformas digitais, automação, ferramentas avançadas e novos recursos tecnológicos, consegue fazer análise, produzir documento, criar apresentações, desenvolver soluções, pesquisar informações e executar atividades que antes exigiam uma equipe inteira. E olha, eu não estou dizendo que isso acontece em todos os projetos, mas eu estou dizendo que essa é uma tendência cada vez mais visível. E talvez a pergunta tradicional dos projetos esteja mudando. Durante muitos anos a gente perguntava quantas pessoas a gente precisa para entregar esse projeto. Talvez a pergunta correta agora seja qual a menor equipe possível para entregar esse projeto? Menos pessoas podem significar menos interface, menos ruído, menos dependência e em muitos casos mais velocidade. Agora é claro que isso não vem sem riscos. Projetos de uma pessoa só criam dependência extrema, o conhecimento fica concentradíssimo, a capacidade de revisão diminui, a diversidade de perspectiva simplesmente desaparece. Então nós não estamos falando aqui no fim das equipes, nós estamos falando em uma redefinição completa do tamanho ideal de equipe. Agora, eu não posso deixar esse podcast sem falar de uma questão muito maior do que essa. Eu, quando falo desse assunto, eu falo com uma perspectiva de tentar entender o que a tecnologia está trazendo. Agora, existe uma questão que vai além do gerenciamento de projetos. Se uma pessoa consegue fazer o trabalho que antes exigia cinco, e se cinco pessoas conseguem fazer o trabalho que antes exigia cinquenta, o que vai acontecer com as outras 45? Talvez, e eu falo isso em todas as minhas palestras, essa seja uma das perguntas mais importantes da nossa geração. Ao longo da história, novas tecnologias sempre substituíram atividades e criaram novas oportunidades. A evolução industrial fez isso, os computadores fizeram isso, a internet fez isso. Mas a velocidade da transformação que nós estamos vivendo hoje com inteligência artificial, ela parece diferente. E ninguém sabe exatamente qual vai ser o equilíbrio entre produtividade, geração de riqueza e emprego. Por isso, quando falamos sobre o projeto de uma pessoa só, nós não estamos falando apenas de eficiência. Nós estamos discutindo aqui o futuro do trabalho. Talvez o projeto de uma pessoa só seja uma das maiores oportunidades para aumentar a produtividade que a gente já viu. Mas talvez ele também seja um dos maiores desafios sociais do nosso tempo. Por que a pergunta não é apenas como é que a gente vai fazer o projeto no futuro? A pergunta é o que nós vamos fazer quando cada vez menos pessoas forem necessárias para entregar cada vez mais resultados? E olha, essa pergunta eu não tenho resposta, mas eu tenho muita preocupação, porque eu acho que esse vai ser um fator definidor de como a sociedade vai se comportar no futuro. Vamos pensar nisso juntos. Espero que vocês tenham gostado desse episódio e nos vemos semana que vem com mais um 5 Minutes Podcast.