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Olá pessoal, aqui é o Ricardo Vargas e esse é mais um 5 Minutes Podcast. Eu quero começar fazendo uma pergunta bastante simples. Se eu olhasse a sua agenda da semana passada, eu encontraria atividades de gerenciamento de projetos ou encontraria uma sequência interminável de reuniões, mensagens, e-mails e incêndios para pagar? Eu tenho conversado com muitos profissionais de diferentes empresas e países e eu vejo uma sensação muito comum que transcende o tipo de projeto, transcende a nacionalidade, etc. Todo mundo está extremamente ocupado e eu me incluo inclusive nesse grupo. Todo mundo trabalha muito. Agora, pouca gente consegue dizer o que realmente passou o dia gerenciando seus projetos. O dia começa a responder mensagens, antes mesmo do café, já existe urgência. Depois vem aquela reunião para discutir, outra reunião, uma chamada para explicar o atraso, outra para responder a uma dúvida. E mais uma para alinhar a prioridade que provavelmente mudará amanhã. E no fim do dia existe aquela sensação estranha de que você trabalhou 12 horas e mesmo assim não conseguiu avançar no que realmente era importante. E foi aí que comecei a pensar assim, será que muitos de nós deixamos de gerenciar projetos e passamos simplesmente a gerenciar uma ansiedade? Porque existe uma diferença enorme entre essas 2 coisas. Gerenciar projetos significa reduzir a incerteza. Gerenciar a ansiedade é muito mais reagir às incertezas. E as atividades são completamente diferentes. Quando tudo vira urgente, nada é realmente prioritário. Quando qualquer mensagem precisa ser respondida imediatamente, ninguém mais consegue pensar. Quando o cronograma muda todos os dias, ele deixa de ser um instrumento de gestão e passa a ser apenas um retrato dessa confusão. Muitas vezes o gerente de projeto acaba assumindo um papel. O papel que nunca deveria ser dele. Ele vira uma central de atendimento, um tradutor de problemas, um amortecedor da ansiedade que a nossa empresa tem. A gente passa o dia acalmando pessoas, justificando por que a gente tomou aquelas decisões e tentando sincronizar expectativas que mudam simplesmente a todo instante. E por isso que isso é muito diferente de liderar o projeto. A inteligência artificial trouxe uma situação muito curiosa nesse sentido. Ela eliminou uma enorme quantidade de trabalho operacional. Hoje a gente produz documentos mais rapidamente, analisa dados em segundos, cria apresentações na velocidade da luz. Isso é ótimo, é fantástico, sem dúvida nenhuma. Mas também criou uma expectativa perigosa. Sabe que tudo pode ser feito mais rápido e de forma mais imediata. As pessoas passaram a esperar respostas instantâneas, mudanças instantâneas, tudo instantâneo. A tecnologia reduziu o esforço operacional, mas em muitos casos, ela aumentou a ansiedade coletiva e justamente por isso que o papel do gerente de projetos ficou ainda mais importante. Não para acelerar ainda mais o caos, mas para devolver a previsibilidade ao trabalho. O gerente de projeto não existe para absorver a ansiedade. Ele existe para reduzir as incertezas. Isso significa dizer não quando necessário. Já falei isso muitas vezes. Proteger a equipe de falsas urgências, criar um ritmo sustentável e factível, dar clareza, criar uma confiança. E, no fundo, uma boa reunião de projeto, ela precisa terminar com as pessoas mais tranquilas do que elas entraram. Se elas saem mais ansiosas, mais apavoradas do que chegaram, talvez a gente esteja administrando emoções em vez de gerenciar projetos e eu queria deixar uma provocação para vocês essa semana, na próxima reunião do seu projeto, faço uma pergunta muito simples, nós estamos realmente gerenciando o projeto ou nós estamos apenas administrando a ansiedade que nós mesmos criamos? Pense nisso. Um grande abraço para vocês, uma ótima semana, menos ansiosa e até semana que vem com mais um 5 Minutes Podcast até lá.